Ele esta no onibus a caminho do trabalho e percebe que esta sem as calcas. Mais uma vez aquele sonho infortuno. Ja esta tao acostumado que parece nao ligar mais.
Todos ao seu redor nao param de observar seus membros genitais expostos do lado de fora. Ele ate se esforca um pouco para cobri-los com um caderno, mas parece algo impossivel. Ele desce do onibus incomodo com a situacao, pede desculpas para algumas pessoas, tenta nao encochar aquela garota que ele sempre encoxava. De uma hora para outra vira um cavalheiro.
Mas o membro continua la de fora tomando o vento gelado da manha. Hoje ele tinha uma reuniao importante, alta cupula, diretoria empresarial. Trabalhava com seguros. De casa, de carro, de pessoas. Seus seguros cobriam tudo menos seu tronco para baixo.
Resolveu ir assim mesmo. Ja estava comecando a cultivar pequenas inimizades no trabalho aquele mes, nao seria nada mau mostrar aquele chato da contabilidade que a natureza ate que tinha sido generosa com ele. Ou para a secretaria que insistia em ser caridosa com toda a chefia, menos com o pobre do vendedor de seguros.
Fechou o casaco apertado, passou o cachecol entre o pescoco e andou confiante para o escritorio.
A rua ficou pequena para aquele homem e seu penis desnudo. Andava, balancava ao vento, feliz e orgulhoso. Ninguem mais notava a ausencia das calcas.
Chegou ao escritorio orgulhoso do feito, soltou frases como "gostou" ou "voce ainda nao viu nada" para a secretaria que so pode notar a falta da gravata. Hoje era dia de reuniao.
Demitido por justa causa, nao podia frequentar reunioes sem gravata.
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